A definição, articulada durante o fim de semana entre lideranças nacionais do PL, integrantes do MDB e o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, surpreendeu inclusive Medeiros, que há menos de duas semanas havia sido oficialmente apresentado como pré-candidato ao Senado durante a convenção estadual do partido, realizada em 22 de julho. Na ocasião, o discurso da cúpula estadual era outro.
O presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, afirmou publicamente que o partido não abriria espaço para outro nome ao Senado além de José Medeiros, consolidando a imagem de uma candidatura única da legenda ao lado da candidatura de Wellington Fagundes ao Governo do Estado. Poucos dias depois, porém, o cenário mudou completamente. A inclusão de Janaína Riva como segunda candidata ao Senado no palanque de Wellington foi interpretada nos bastidores como uma mudança de rumo imposta pela direção nacional, alterando o equilíbrio político da chapa e reduzindo o protagonismo de Medeiros.
A movimentação fortalece a pré-candidatura de Janaína, que passa a integrar oficialmente um dos principais projetos eleitorais da direita em Mato Grosso. Ao mesmo tempo, cria um ambiente de incerteza para José Medeiros, que agora terá de dividir o mesmo espaço político com uma candidata de grande densidade eleitoral e forte articulação partidária. Nesta segunda-feira (3), Medeiros rompeu o silêncio e divulgou um vídeo nas redes sociais deixando evidente o desconforto com a decisão.
Sem anunciar qualquer rompimento com o partido, o parlamentar afirmou que a definição foi tomada “de cima para baixo”, sem ouvir a militância e as lideranças bolsonaristas do estado. No pronunciamento, Medeiros reforçou sua fidelidade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que sua posição política permanece inalterada. Segundo ele, o momento exige compromisso com a defesa das pessoas que considera perseguidas politicamente e da própria liberdade do ex-presidente.
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