Carlinhos Bezerra admite arrependimento no Tribunal do Júri, diz que perdeu o controle e contesta versão de perseguição à ex-companheira

Diante do Conselho de Sentença, ele declarou que o arrependimento o acompanha desde o dia em que efetuou os disparos que tiraram a vida do casal, em janeiro de 2023.
Durante cerca de duas horas de interrogatório conduzido pela defesa, pelo Ministério Público e pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, Carlinhos falou sobre o relacionamento com Thays, explicou sua versão para os acontecimentos que antecederam o crime e rebateu parte das conclusões apresentadas pela investigação da Polícia Civil. Em um dos momentos mais marcantes do depoimento, o empresário afirmou que a decisão tomada naquele dia destruiu sua própria vida e que convive diariamente com o remorso.
Segundo ele, não existe um único dia em que deixe de lamentar a morte da ex-companheira e o impacto da tragédia sobre a filha dela. Ao reconstituir a história do relacionamento, Carlinhos afirmou que viveu quase quatro anos ao lado de Thays em uma relação que descreveu como intensa, marcada por separações e reconciliações. Disse que o casal chegou a fazer planos de casamento e que ambos alimentavam projetos para o futuro. Conforme seu relato, a ruptura definitiva ocorreu no fim de dezembro de 2022, após sucessivos desentendimentos.
O empresário contou que, mesmo após o término, acreditava que ainda havia possibilidade de retomarem o relacionamento. Segundo ele, essa expectativa o levou a insistir em conversas com Thays nas semanas seguintes. Ao explicar os acontecimentos que antecederam o crime, Carlinhos afirmou que os dois compartilhavam voluntariamente a localização dos celulares enquanto mantinham o relacionamento e que, por esse motivo, conseguiu visualizar onde a ex-companheira estava.
Disse ter ido até a rodoviária ao perceber que ela estava no local e afirmou que decidiu acompanhá-la depois de ver um homem entrando no veículo dirigido por ela. Segundo sua versão, pretendia apenas descobrir quem era a pessoa que a acompanhava. Ele também afirmou que Thays dirigiu até a Central de Flagrantes da Prainha após perceber que estava sendo seguida, mas alegou que desconhecia o fato de ela ter registrado um boletim de ocorrência naquele momento.